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Domingo, 23 de Julho de 2006

Dar Futuro ao Interior / Reordenamento das Escolas do 1.º Ciclo

Muita polémica tem gerado o encerramento de escolas. Como sempre, fazer demagogia é fácil, é barato e no caso de alguns até dá milhões! No caso dos Sindicatos e “dos professores” (alguns, meus senhores, alguns: não são todos…), pois claro, esses milhões são traduzidos nos lucros mediáticos que resultam de mais uma campanha contra a Ministra que não gostam apenas porque um dia tocou nos seus interesses, corporativos, e isso não lhe perdoam.


Em 2001/2002, 29,1% das escolas do 1.º Ciclo (2420 escolas) tinham uma frequência inferior a 11 alunos!


Alguém acredita, se estiver sinceramente preocupado com a educação das nossas crianças, que isso pode ser bom, razoável ou sequer aceitável para algum aluno?

Nem vou falar em números e nas dificuldades/impossibilidades no que diz respeito à degradação das instalações, à falta de espaços e à inexistência de refeitórios, bibliotecas ou ginásios, equipamentos necessários ao sucesso das aprendizagens.


Para mim, ainda que as condições físicas fossem perfeitas (e não o são, nem há condições para virem a ser) persistiam as principais preocupações:


Que efeitos tem numa criança o isolamento social, cultural? A falta de convívio com gente diferente, com costumes diferentes, com gostos diferentes? Que efeitos tem o facto de partilharem o mesmo professor com alunos de anos diferentes? (Gentes/pais que ainda lhes fornecem, muitas vezes, vinho ao pequeno almoço e cuja actividade lúdica consiste em levar as crianças à missa no Domingo). Que efeito tem verem as mesmas caras, as mesmas pessoas, os mesmos montes, as mesmas ovelhas, dia e noite, dia após dia? Perdoem, mas isto até me faz lembrar a Heidi que nem sequer era portuguesa…e não consta que tivesse encarregado de educação, a não ser um avozinho já mais para o cego…!


Espero que esta Sra. Ministra não volte nem uma linha atrás nos seus propósitos, para que acabe com este factor de atraso e de bloqueio social e cultural das gerações que  habitam esse interior de Portugal.



Por mim, quem devia ir para o interior despovoado era o Sr. Paulo Sucena (senhor muuuuiiiito preocupado com as assimetrias regionais e com as desigualdades sociais, eheheh)…rodear-se de mais uns 10 colegas parecidos com ele (candidatos não faltam por aí) e deixavam-nos a nós em sossego…Desculpem lá, mas sonhar nunca fez mal a ninguém!


 

sinto-me:
publicado por uma E.E. às 13:00
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9 comentários:
De Eu, pai... a 25 de Julho de 2006 às 12:53
Cara mãe, passei aqui por acaso (ele há bons acasos...) e saúdo-a pela coragem (será que tem guarda-costas?) de um blog que vai contra a enxurrada dos Srs. Professores, embora eu não tenha quaisquer dúvidas que a maior parte dos pais/encarregados de educação se revejam nos seus "posts". Imagino o tipo de comentários que lhe deixarão algumas das pessoas a quem "temos" de entregar a aprendizagem dos nossos filhos...
Mas, sobre este "post" em concreto lhe digo que o encerramento de algumas escolas tambem tem que ver, até porque os recursos são parcos, com uma boa gestão do dinheiro que é de todos e assim, deve ser aplicado de forma a que a relação custo/benefício contribua para uma melhor gestão do que é de todos, ainda que esta realidade seja do desagrado de quem só se tem, ao longo dos últimos 32 anos, preocupado, em exclusivo, em defender os interesses da classe!
Não que as questões de carácter social e pedagógico das crianças, como menciona, sejam de menor importância, mas não devem ser a única explicação para esta medida. É que se se proceder à análise dos resultados de crianças que, saídas deste tipo de escolas com muito pouca frequência, certamente que se chegará, na maior parte dos casos, à conclusão de que o investimento não deu resultado. Assim, há que ter a coragem de mudar a fórmula, enfrentando quem quer que seja.
Por aqui passarei, com todo o prazer, mais vezes.
Continue
De Uma mãe-não professora a 27 de Julho de 2006 às 09:45
Acha bem que nas aldeias do interior as crianças apanhem a camioneta às 7h do manha e regressem às 19h a casa? Andem pelos montes de aldeia em aldeia, com neve, chuva, trovoadas, por "estradas" onde só passa um carro de cada vez e quando apareca outro em sentido contrario têm de ocupar as valetas para poderem passar? Como podem estas crianças ter aproveitamento escolar? Vivo numa grande cidade mas sou de uma dessas aldeias e a cada ano que passa verifico que o rendimento escolar das crianças que lá habitam é cada vez mais baixo. No tempo da telescola o rendimento era bem maior. As crianças precisam do acompanhamento dos pais e, se há pais que não se interessam outros interessam-se e muito mas estando tão longe deles durente todo o dia (12h ou mais) pouco podem fazer. Estou a falar de crianças com 10 anos ou mais mas o que acontece é que o ME também quer alargar esta pratica a crianças de 6 anos. Concorda? Eu não. E os pais dessas aldeias, pelo menos os que conheço, também não.
De uma E.E. a 27 de Julho de 2006 às 10:48
Cara mãe:
Concordo. Acho mesmo que quanto mais cedo melhor. Ver novas pessoas, fazer novos amigos, partilhar novas experiências - é algo que devemos proporcionar aos nossos filhos, quanto mais cedo melhor. (Até os bebés devem sair da pasmaceira, devem ser estimulados, não sabia?)
É muito importante que saiba que essas crianças NÃO VÃO andar por montes e vales a pé, sozinhas. Isso é o que se passava antigamente. O transporte escolar é algo que está GARANTIDO, e se não estiver a comunidade que proteste. Eu não conheço nenhum caso, nem acredito que exista. Conhece algum? Diga, que eu gostava de escrever a essa autarquia.
Quanto a sair de casa às 7 h e regressar às 19, trata-se de demagogia. Se os pais trabalharem no campo, o mais provavel é sairem de casa ainda mais cedo do que isso...Olhe, e os meninos dos melhores colégios de Lisboa, também se levantam às 7 horas, para começar as aulas às 8h, não sabia? E regressam tarde, porque os colégios tb se preocupam com os pais que trabalham...E não consta que tal seja prejudicial ao seu rendimento escolar.
O isolamento a que estão CONDENADOS os miudos do interior despovoado é que importa quebrar. Quem não vê isso não vê nada - anda a fazer política partidária e não "da séria". (Para além dos recursos que são limitados e não justificam).
Cumprimentos,
Uma E.E.
De pandora a 3 de Agosto de 2006 às 15:18
Desde que o transporte destas crianças para escolas em localidades distantes seja uma realidade e gratuito, estou plenamente de acordo.
Gabo-lhe no entanto a ingenuidade se acha que o dinheiro poupado vai ser usado para melhorar as condições das escolas.
Tecnologia? Ginásios? Refeitórios? Pessoal auxiliar? A senhora acredita? Eu não, e sabe porquê? Porque já cá ando nisto há 22 anos e todos os anos vejo o orçamento da Educação a diminuir...
De uma E.E. a 5 de Agosto de 2006 às 17:26
Cara Pandora,

A questão mais importante não é reduzir as despesas. A questão FUNDAMENTAL é retirar essas crianças do isolamento social e cultural a que estão sujeitas e que as CONDENAM ao insucesso.

Quanto a mim, de facto "ando nisto" há muito menos tempo...mas os números falam por si, e dizem precisamente o contrário. Consulte os números para verificar os INVESTIMENTOS feitos na educação nos últimos anos!
De pandora a 6 de Agosto de 2006 às 21:24
É pena que eu queira fazer uma aula com dicionário, sim, algo tão simples como isso, e não tenha mais que um para cada 5 ou 6 alunos... é pena que eu queira usar um retroprojector, sim, nem sequer é nada tão extraordinário, e estejam todos avariados pq a escola não tem dinheiro para os arranjar... é pena que eu queira fazer uma aula com música e tenha que usar o meu próprio leitor de CDs pq os da escola não funcionam por falta de dinheiro para os arranjar... é pena que na minha escola não haja um ginásio... é pena que na minha escola os laboratórios estejam há mais de 3 anos à espera de coisas tão simples como colecções de minerais indispensáveis quando se fala de geologia... pena que na minha escola os computadores sejam tão antigos que vão abaixo a cada 5 minutos (sabe, foram oferecidos por uma instituição bancária... eram os que lá estavam a apodrecer já depois de 2 ou 3 reciclagens do equipamento no banco!)... pena que na minha escola sejam os própios professores (que tanto critica por não quererem ser avaliados... só pode ser piada!) a ter que decorar a Sala de Estudo, sim, minha cara senhora, de pincel e trincha pois até as paredes tivemos que pintar por não haver dinheiro pra contratar um profissional (creio que nunca deve ter tido que pintar o seu local de trabalho, pois não?... pois, bem me parecia!)... é pena que o orçamento aumente e as coisas estejam cada vez mais na mesma... e olhe que não por culpa dos professores, olhe que não!
De uma E.E. a 7 de Agosto de 2006 às 12:46
Cara Pandora,

Dicionários: não são os alunos a comprarem os seus próprios dicionários? E, para quem não os pode adquirir, não existe uma coisa chamada “acção social escolar” por intermédio da qual os livros são gratuitos?? Como sabe melhor do que eu, existe e funciona, por isso não percebo o que disse…

Retroprojector + leitor de CD’s : A escola não tem dinheiro para os mandar arranjar. Já pensaram em usar o dinheiro das quotas da Associação de Pais para esses arranjos? A escola já se candidatou às ajudas da Câmara Municipal? Já falaram com a Junta de Freguesia? Pelo seu blog, que tive o prazer de visitar, pude constatar que a sua escola fica situada na Moita…olhe: numa olhadela muito rápida pude encontrar no site da Câmara vários programas de apoios financeiros para as escolas do Concelho. Por exemplo: encontrei logo uma notícia recente, datada de 28-06-2006, onde se refere que a Câmara Municipal da Moita atribuiu recentemente apoios financeiros, no valor global de 30 600 euros para os estabelecimentos de educação e ensino público. Destes, os jardins-de-infância da rede pública, as escolas de 1º ciclo do Ensino Básico, as escolas do Ensino Secundário e a OLEFA vão receber uma verba total de 27 600 euros. No caso das escolas de 2º e 3º ciclo do Ensino Básico, o apoio financeiro tem o valor de 3 000 euros.

Cara amiga, deve chegar para consertar o que me fala…e para comprar mais uma dúzia deles…

E quantos pais e mães e professores da sua escola vão a uma Assembleia Municipal ou a uma Assembleia da Junta para apontarem o dedo a quem de direito? Sabe…descentralização…autonomia…exercício de cidadania por parte dos eleitores…responsabilização por aquilo que é de todos…as autarquias recebem directamente impostos nossos assim como verbas da Administração Central para investir na Educação…que tal passar a apontar o dedo a quem de direito? Dá muito trabalho sair de casa à noite para ir às reuniões (abertas ao publico…) dos órgãos autárquicos, não dá? Mas não lhe parece que dá muito mais trabalho ainda passar a vida no choradinho? Olhe que o choradinho no local certo talvez resolva esse problema! A ministra também tem culpa da irresponsabilidade do cidadão comum que não se informa, não se mexe, mas passa a vida a queixar-se porque as coisas não aparecem feitas? Não faltava mais nada!

Computadores: não vou falar do que o ministério já fez na matéria, pois os links para o mesmo ministério estão todos no meu blog e basta procurar lá que encontra o que já foi feito… Mas a sua Câmara Municipal em 2004 instalou Laboratórios de Informática em todas as Escolas Básicas de 1º ciclo do concelho envolvendo um investimento na ronda os 270 000 euros… (!!)

Obras: minha senhora, dá aulas há tanto tempo e ainda não sabe que a entidade responsável por tal NÃO É o ministério da educação, mas SIM a autarquia????? Olhe que não a percebo…

Um última nota “pessoalíssima”: Acho fantástico que já tenha pintado uma sala. Eu conheço uma rampa para deficientes que foi feita por um grupo de pais porque a junta de freguesia levava uma semana para poder ir à escola construir a dita rampa, e então os pais decidiram tratar disso pelas suas mãos. Ninguém do grupo se queixou até hoje, pelo que sei.

Sabe, o país é pobre. Mas os números também falam por si, e nenhuma mentalidade pobre pode questionar dos investimentos que têm vindo a serem feitos na Educação. É verdade que não se vêm muito…mas lembra-se dos 48 anos de ditadura que tivemos? Do estado miserável em que estava este País? De como era o parque escolar de então? Reconhece o esforço que já foi feito nestas ultimas décadas para ver se chegamos a algum lado? Se chega? É CLARO que ainda não chega, mas explique-me como fazer milagres.
De pandora a 7 de Agosto de 2006 às 19:48
eu não disse que o ME era responsável por td, sei muito bem das responsabilidades da autarquia. as escolas do 1º ciclo tem prioridade nesate momento por terem sido ignoradas durante tantos anos, sempre foram o parente pobre. E não chega para todos.
Não me queixo, até lhe digo que foi divertido pintar a parede, até lhe digo que consigo fazer aulas engraçadas com o meu leitorzito de cds, todos fazemos o que podemos. Creio eu que todos, ou pleo menos a maioria. Não gostamos é de ser o bode expiatório de toda uma sociedade que está doente.
É essa a grande questão... todos fazemos o que podemos e o melhor que sabemos, é isso que tento ensinar aos meus alunos, fazer sempre melhor, mesmo com os poucos recursos que temos. E se eles o fazem são elogiados e recompensados por isso.
Os professores levam de todos os lados e são responsabilizados por todos os males.

Sim, na minha escola há uma Associação de Pais. Não, não sei para que serve. Para se queixarem da exigencia dos professores servem. Para apaparicarem alguns intocáveis também... não vale a pena!

Fico por aqui, gostei da sua atitude, tem convicção, coisa que falta a muita gente que fala por falar.
Mas acho que já me incomodei demais com todo este processo.
De Pedro Santos a 19 de Setembro de 2006 às 10:43
Meu Deus!
Então acredita que se desenvolve o interior fechando, ou dando melhores condições. Se continuarmos a melhorar o que existe na cidade e arredores, é claro que nas aldeias ninguém lá pára. O desenvolvimento não se faz de um dia para o outro, são precisas, às vezes, gerações. Os investimentos são visões de futuro a médio/longo prazo, e não imediatas. Uma boa escola numa aldeia, com condições de excelência atrai, não nos primeiro anos mas mais para a frente. Eu, enquanto pai, se fosse ouvindo falar de uma escola numa aldeia que tivesse tudo, boas salas, bons equipamentos tecnológicos e desportivos, refeitório, espaços descobertos e cobertos, pensaria em mudar-me para lá. Estou a falar de aldeias perto de centros populacionais consideráveis. Deixava o meu filho/filha na escola e ia trabalhar. Poderá dizer que estou a falar de aldeias perto de centros populacionais, e isso não é o Portugal profundo. É verdade, mas como em tudo , a vida funciona em círculos cada vez mais abertos a partir de um ponto central. Essa aldeia, com a fixação de população cresceria em estruturas e serviços, tornando-se algo mais do que uma aldeia. Esta "aldeia" passaria a ser o centro populacional para outra aldeia, e assim por diante. Consigo fazer passar a ideia? Mas isso necessita investimento e coragem para abraçar causas que não sejam imediatistas e demagógicas. Portugal vai-se tornar cada vez mais pobre, menos "educado", mais concentrado no litoral e dependente de terceiros para viver. Viva o nosso Portugal Português, prisioneiro do pensamento dos outros.

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