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Quarta-feira, 2 de Agosto de 2006

Hoje não aplaudo o Ministério!

Para gáudio de muitos: hoje estou aborrecida com o Ministério da Educação!

 

Li uma afirmação do Sr. prof . Paulo Sucena (mas ainda podemos considerar alguém professor quando não lecciona há décadas? A partir de hoje, no que diz respeito ao tratamento que dou ao excelentíssimo, está-lhe retirado o epíteto de professor, tenho dito) dizia eu, li hoje uma afirmação do dito “Sr. profissional dos sindicatos há uns 30 anos” que nos dava a fantástica novidade: “- podemos fazer mais um dia de greve, dois, três, quatro, os que forem precisos!”


Eu acho bem. Assim como assim, as greves são a única altura em que os professores faltam à escola mas não recebem o dia. Isto, porque dado o laxismo do sistema todos sabemos que há sempre uma maneira de justificar a habitual faltita e por isso os euros entram à mesma na conta do docente. Sendo assim: ao menos quando estão de greve não sai do erário público pagamento nenhum…

 

A minha ideia é a seguinte: mais semana, menos semana de aulas, acaba por não fazer muita diferença, pois os prejudicados são sempre os mesmos: OS ALUNOS!

 

Claro que, como estes profissionais dos sindicatos não ignoram (nessas matérias são muito empenhados, pudera, sobra-lhes tempo livre…), os prejudicados também são, como sempre, os ENCARREGADOS DE EDUCAÇÃO. E como sofrem! Vemos os nossos educandos com menos aulas do que as previstas inicialmente, com os reflexos que daí advêm no seu sucesso escolar… E muitos dos pais são obrigados a faltarem aos seus trabalhos porque não têm onde deixar os jovens. E não há que ter vergonha de o afirmar, ou ter qualquer sentimento de culpa – é a verdade muitas vezes trágica!

 

Por isso, quanto aos prejudicados estamos falados. Lá vamos indo…

 

Vinha isto a propósito de hoje estar particularmente aborrecida com o Ministério da Educação.

 

No passado ano, o Governo reduziu o número de professores a exercer funções sindicais a tempo inteiro de 1327 para 450. Não houve comentador político que não elogiasse a medida, desde a esquerda à direita, pois como sustentar 1327 pessoas a viverem à sombra do sistema no estado em que o país está?

 

Acontece que ontem os sindicatos de professores chegaram a um acordo com o Ministério da Educação quanto à distribuição dos 300 docentes que irão exercer funções sindicais a tempo inteiro. O acordo não me espanta nada (mais vale um pássaro na mão…) e acho bem. O que me surpreende é o número de Srs. e Sras. que vão exercer a tempo inteiro funções sindicais! 300?!

 

E quem paga? O erário público. Se o Estado gastava anualmente com estes docentes cerca de 20 milhões de euros em salários, agora parece que vai passar a gastar “apenas” oito milhões de euros…Oito milhões de euros? Terei lido bem? Ora…deixa lá ver…isso dava para quantos aquecimentos nas escolas que não têm…quantos computadores…etc., etc. Por isso estou zangada com o Ministério.

 

E não me venham com a lengalenga do discurso economicista. Do Estado exige-se rigor e contenção com os dinheiros que são de todos. Quando é que vão perceber?

 

Para os mais lerdos, não digo que não tenha de haver sempre lugar para docentes a exercerem funções sindicais a tempo inteiro. Claro que sim. A função sindical é das mais nobres conquistas civilizacionais que nos trouxe o 25 de Abril. Assim como o instituto da greve. Mas, meus amigos: o abuso do direito deve ser penalizado. Senão juridicamente (não estão reunidos os pressupostos), então politicamente! Estes senhores precisam saber que muito do eleitorado que vota nos partidos que sustentam ideologicamente a maioria dos sindicatos dos professores (e muita vocação têm os professores para a função sindical: já repararam na quantidade astronómica de sindicatos que têm em comparação com as outras áreas profissionais?!), precisam de saber, dizia eu, que muitos desses eleitores andam a pensar melhor onde depositar o seu voto na próxima vez que formos às urnas!

 

Não é o eleitorado de direita ou aquele que nunca vota que sente o “abuso” da actuação dos sindicatos! (Ou porque esse já pensava assim há muito tempo, ou nem pensa nada de relevante no caso dos que não votam.) É o eleitorado de esquerda que começa a ficar fartinho (mas fartinho mesmo) de tanta desconsideração dos que, obcecados por uma guerra sem qualquer sentido, andam a ter por nós!

sinto-me:
publicado por uma E.E. às 14:36
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6 comentários:
De 1.Pai.de.Évora a 2 de Agosto de 2006 às 16:41
Cara uma E.E.:
A senhora fez-me lembrar um comentário do Miguel Sousa Tavares uma vez na TVI, a próposito do Paulo Sucena...muito em me ri. Um em que ele chamava a atenção para o homem já andar nessas vidas há tantos anos k é obvio já nada saber acerca de dar aulas. Viu esse Jornal da Noite? É um amor ao tacho do caraças e muito pouco amor pela função de ensinar (no que diga-se, duvido que tivesse vocação).
Enfim, lá temos nós que levar com mais umas greves: não pode pedir ao menos aí no seu blog para eles nos informarem nas datas com antecedência? É que assim ainda mudava as datas das minhas férias e poupava chatices à familia toda.
Cumprimentos,
Um pai de Évora
De Reflexões... a 3 de Agosto de 2006 às 02:45
1. Se o Sr. prof . Paulo Sucena não serve para defender o ensino porque não da aulas no 1º 2º 3º ou Secundário, então que dizer da ministra que nunca lá leccionou e é quem tutela?
2. Uma greve que não faz mossa tem que impacto? Quando os transportes fazem greve não transtornam os cidadãos? Se não conseguem arranjar onde colocar as crianças como fazem nas interrupções lectivas? Ou nessas interrupções também faltam ao trabalho?
3. A justificação de faltas por parte dos professores é uma consequência do ECD. 3 faltas não justificadas (seja qual for o motivo) e pode-se ser exonerado do lugar que ocupa.
4. O número de sindicatos existentes é útil ao estado. Apenas 6 (na realidade são 2 mas divididos por 3 regiões) têm quase a totalidade da adesão dos professores e esses normalmente não dizem “sim senhora ministra”. Depois o governo diz que terminou as negociações em que apenas x sindicatos se opuseram mas y (e y >>> x) estava de acordo. Outra vantagem é que assim nunca estão todos de acordo (técnica ancestral dividir para conquistar) ... esperem um pouco ... a ministra conseguiu colocar todos de acordo num assunto... eu preferia ter zero sindicatos que funcionasse como ... a ordem médicos etc... mas acho que o estado não está interessado nisso.
5. Ok eu sou contra os sindicatos em geral... mas se estamos numa de reduzir custos então porque é que os cargos políticos continuam a aumentar?
E a propósito ... quantos professores não estão nas escolas por estarem a desempenhar cargos políticos (nas juntas/câmaras etc...) e são substituídos? Alguns de forma sistemática ao longo dos anos.
De uma E.E. a 4 de Agosto de 2006 às 14:47
Caro leitor/a:

Agradeço-lhe o seu comentário, pois teve o mérito de conseguir expressar algumas ideias…quer se concorde, ou não. Eu não concordo e passo a enunciar porquê.

1.º O Sr. Paulo Sucena não defende o ensino. Defende os interesses corporativos dos funcionários do Estado que representa. E os interesses dos professores podem não coincidir com o que é melhor para o ensino. Aliás, se coincidissem, para que raio existiriam 19 sindicatos dos professores?

2.º Eu não disse que o dito Sr. não servia para vos representar. Quem paga as quotas do sindicato e se sente representado é que o pode dizer. Eu até acho que ele vos representa muito bem! É uma amostra clara de alguns profissionais do ensino que temos!

3.º Tem toda a razão quando parece defender que uma greve para fazer efeito tem de fazer mossa, tem de transtornar os cidadãos. Onde não tem razão é quando não percebe que a greve também deve ter a opinião pública do seu lado. Deve ser explicada, justificada e justa! Caso contrário só vai provocar revolta. E, no caso de algumas pessoas, como eu, que não questionam um milímetro da utilidade do instituto da greve numa sociedade democrática, até provoca tristeza. Porque sentem o abuso de alguma coisa que lhes é muito querida. Aliás, deixo um apelo ao grande senhor do sindicalismo português, Dr. Carvalho da Silva, por quem tenho um enorme respeito, para que ponha ordem na casa…para que não abusem das conquistas que demoraram décadas a conseguir neste país.

Como já percebeu, e ao contrário de si, e cito-o/a: “ok eu sou contra os sindicatos em geral...”, eu não sou contra. Muito pelo contrário. São fundamentais para a Democracia. São uma conquista que celebro pessoalmente todos os 1.ºs de Maio. São um marco na História que, para acontecer, custou a vida a muitas pessoas. E os meus educandos já têm bem presente essa realidade.

A verdade é que nem todas as pessoas são politizadas o suficiente, para NÃO CONFUNDIREM o facto de discordarem da atitude dos sindicatos dos professores neste caso concreto, neste tempo e neste lugar (como é o meu caso) com o facto da existência dos Sindicatos, sua necessidade e o seu papel insubstituível.

Por isso tudo, estes Srs. “paulo’s sucena’s e companhia’s Lda.” estão a correr um grande risco: porem a opinião publica contra todos e qualquer sindicatos, apenas porque nesta luta concreta percebem que estes não Têm razão alguma!

Quanto à sua pergunta: “Se não conseguem arranjar onde colocar as crianças como fazem nas interrupções lectivas? Ou nessas interrupções também faltam ao trabalho?”, faça o seguinte: se é professor/a, pergunte isso mesmo aos pais dos seus alunos. Vai perceber que tenho razão em tudo o que agora lhe disse.

Melhores cumprimentos,
Uma Encarregada de Educação.
___________________________

nota: Para o sr. anti_eduques que me escreveu a comentar este post, tem a sua resposta no site http://fotos.sapo.pt/umaEE. Não o publiquei aqui porque este espaço é PARA FALAR DE (COM) EDUCAÇÃO, e o sr. não cumpre os requisitos mínimos. Apesar disso, respondo-lhe lá nessa página, porque confesso que me divertiu…

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